
Moshe Gorban chegou ao Brasil vindo de Israel em 1976, inicialmente para atuar na área da computação — área ainda embrionária por aqui. Dois anos depois, deu uma guinada decisiva: trocou os códigos pela criação sensível ao fundar seu ateliê de design. Desde então, constrói uma trajetória marcada pela coerência estética, pela recusa à industrialização em massa e pelo apego quase artesanal a todas as etapas do processo criativo.
Formado em Engenharia de Produção pela Universidade de Tel Aviv, em Israel, em 1975, Moshe Gorban carrega uma trajetória marcada pela relação íntima com os materiais e os processos de transformação da matéria. Antes mesmo da graduação, já havia concluído um curso técnico com especialização em processamento de metais — conhecimentos que, mais tarde, serviriam como base para uma linguagem artística única e inventiva. Ao longo dos anos, Gorban desenvolveu aquilo que chama de escultura luminosa: uma forma de expressão que une técnica e sensibilidade, onde luz e estrutura se complementam para criar atmosferas. Suas obras não são apenas objetos físicos, mas experiências visuais e sensoriais que transformam o ambiente — tudo feito com produção própria, o que confere exclusividade a cada peça.
Gorban desenha luminárias, arandelas e sistemas de iluminação com rigor e poesia. Tira luz de materiais brutos como ferro e concreto, sempre com parcimônia nas formas, linhas e volumes. Seu design é guiado por quatro princípios fundamentais: economia, simplicidade, limpeza e manutenção. “As boas ideias estão nas coisas simples. Complicar a vida é fácil. O difícil é simplificar”, afirma. Com sua profunda experiência em iluminar, Gorban domina a arte de desenhar a luz no espaço com uma precisão rara — sua luz não invade: revela. Em cada peça, o gesto é sutil, mas o efeito é potente, quase coreográfico. Ele compreende a luz como matéria sensível, capaz de transformar atmosferas e sugerir narrativas silenciosas.
Ao longo de sua trajetória, Gorban consolidou-se como um dos nomes expressivos no campo do design de luminárias no Brasil. Seu trabalho foi amplamente reconhecido por instituições de prestígio: em 2000, recebeu prêmio do 21º São Paulo International Housewares & Gift Fair; em 2011, em parceria com Eduardo Ernesto Dutra, recebeu prêmio do TOP XXI, Salão Design Brasil, OCA (Parque Ibirapuera), São Paulo, SP; em 2018, novamente, com Eduardo Ernesto Dutra, recebeu prêmio do 31º Prêmio Design MCB, Museu da Casa Brasileira, São Paulo, SP — um dos principais reconhecimentos do design nacional.
Sua produção esteve presente em exposições de grande relevância no cenário artístico. Gorban integrou a histórica mostra “Cinco Séculos de Arte Brasileira”, no MASP – Museu de Arte de São Paulo, entre outras participações em exposições coletivas e individuais ao longo das décadas.























